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Drama ou não, ninguém sofre por opção.
Renato Russo.  
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corpos suados,

mentes vadias,

gemidos abafados,

almas sombrias.

 a noite é dos poetas.

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Matei minha poesia.

Não sobrou nada, fiz delas estrelas e as transformei em pó e deixei-as voar, tomar gosto pelo vento, em outros corações morar e ser alento de quem vive no relento, fazer morada no céu de quem precisar.

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A moça pintou os olhos antes de sair de casa na esperança de enxergar colorido o preto e branco da vida.

Reflorear-se

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Sinto-me desmontada em pedaços e as peças principais se perderam ao longo do caminho. Não quero que me completem. Que me encaixem, nem que me reconstruía. Preciso somente de um tempo longe de toda essa perfeição que corremos tanto atrás. Não posso mais desejar ser aquilo que não sou para agradar alguém. Vou continuar torta, louca e sozinha. Mas ainda assim, feliz. É só de felicidade que ando realmente necessitando.
Camila Mendes  
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não se desespere se eu desaparecer

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Em algum momento
que não será esse
poderei eu
deixar tudo vir à tona.
— bc.    
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os olhos não mentem

então olhe nos fundos dos meus olhos e enxergue o que estou sentindo. adentre aos meus aposentos com teu olhar, sente-se na cadeira de balanço e fique a observar. os tremores constantes do meu intimo acontecem rapidamente, porem frequentemente, e neste momento está ocorrendo um terremoto aqui. você pode sentir? coisas estranhas ocorrem por aqui, mas não se assuste, logo estará familiarizado a esse ambiente. vou lhe avisando logo. caso ocorra de olhar para o chão e ver que o piso está ficando molhando, não se apavore, não ouse correr, pode escorregar e cair, ou pisar numa das madeiras podres que cobrem o chão dessa moradia e desabar de cabeça no piso e morrer com uma fratura no crânio. a propósito, o liquido do qual mencionei para que não corra quando avista-lo são meus prantos, salgados e ácidos. minha morada abriga inúmeras surpresas, ora boas, ora péssimas. Instruo-te para que tome cuidado ao sair para ir aos outros cômodos, a iluminação é péssima e há labirintos sem saída. há duas janelas com grades, mas os vidros estão quebrados e os cacos espalhados pelo chão. de lá dá pra ver o nascer do meu sol. esse em momentos que chegam a ser até sangrentos. meu ultimo pedido é para que não repare nas teias de aranha espalhadas por cada parede, não tem sido frequente a limpeza deste local, por isso está dominada por coisas dessa espécie. mas então, o que vê lhe agrada? esse seu olhar de pavor revela a mim que não era isso o que imaginava, já que o sorriso engana, e o meu que aparentava ser tão sincero encobria um lugar sombrio e confuso, quem suspeitaria? pois então moço, o tour pelas minhas verdades acabou. e aconselho-te a só entrar nesse lugar quando eu o convidar, ou poderá sua vida findar no meu casulo interno. 

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sinopse

as páginas do meu livro estão amareladas e velhas. umas com um pequeno rasgo, outras com cortes imensos que tornam quase ilegível as palavras. na verdade não há muitas palavras, e as que tem estão espalhadas. a organização desse exemplar está um caos. mas afirmo que todo o conteúdo que for obtido é de uma sinceridade imensa. posso adiantar que a dor estará presente em cada fragmento, a solidão fará companhia a ti quando for ler essa obra, as lágrimas podem vir a rolar perante meus torturantes relatos. é recomendado uma única coisa ao leitor, apenas para que ele seja fiel ao que ler e que prometa a si mesmo nunca se permitir adentrar a um lugar tão vazio e obscuro como a realidade da autora do livro. a leitura pode não ser agradável como um romance, mas será verdadeira como a pericia de um assassinato. seja sensato ao ler minhas entrelinhas, enxergue, não apenas olhe.

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Reviravolta
revira e volta,
mas volta depressa.
Vem, meu amor.  
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carta

vou-me indo daqui, da cidade, do país e do planeta. vou fugir, ou apenas sumir do mapa. sair do alcance dos que me fazem mal e que por algum motivo sempre vem me apunhalar mais uma vez. há hipóteses que irão surgir quando eu me afastar, mas não deem ouvidos. o verdadeiro motivo está enterrado no meu coração e talvez nem eu o conheça, porem sei da existência. quando eu era criança minha mãe dizia “engole o choro, menina”, neste momento estou me esforçando pra isso, mas a medida que absorvo as lágrimas mais vão deslizando por minha face. estou com a mochila nas costas, vou dar no pé em alguns minutos. estou deixando roupas e alguns calçados. meu ursinho de dormir vai comigo, vamos dormir agarradinhos, em algum lugar. quem sabe aí ou acolá, no final só ficaram as sobras da minha inútil passagem por aqui.

Adeus ou até logo.

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Sentei-me numa mesinha arredondada, que tinha os pés bambos, a aparência rústica e pouco convidativa. possuía uma cadeira ao lado da minha, mas não havia ninguém. A iluminação era péssima e sombria, mas nada que me fizesse levantar e sair caminhando daquele ambiente. A poucos metros de mim havia um balcão, atrás deste tinha uma mulher jovem e muito sensual, seu corpo esguio me fazia ter desejos insanos e surreais (com ela sendo a protagonista, claro), aquela beldade era a balconista. Levantei-me e fui até ela, a apreciei de perto e delirei. Fiz meu pedido, uma bebida, uma caneta e um papel. Ela olhou-me de um modo estranho, apenas sorri e voltei para sentar-me. Logo meu pedido chegou. Comecei a escrever insanidades sem fim. A moça me tentou (mesmo sem saber) e eu cedi aos encantos daquela bela donzela. As palavras saiam soltas, cada uma para um lado. O papel já estava inteiramente rabiscado e a bebida tinha acabado. A rapariga veio ao meu encontro e perguntou se eu desejava algo mais, imediatamente ergui a cabeça, penetrei meus olhos nos dela e esbocei um sorriso de canto. Voltei a olhar aquele papel, e naquele momento as palavras não pareciam tão desconexas, elas uniam-se nas entrelinhas e tudo era ligado a ela. Maldito dia que resolvi me embebedar, e não só de palavras, mas também de cobiça. Levantei-me do assento e fiquei frente a frente com aquela belíssima mulher, peguei o papel rabiscado e devolvi a ela a caneta emprestada, sorri, paguei pelo drinque, agradeci e disse que voltaria outra hora (por ela), desejei a ela uma boa noite e retirei-me do bar. Essas histórias de botequim de esquina começam assim, por uma dama e uma bebida.

Benício Arruda, escritor de boteco.

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queria desabafar

mas não vai passar de mais um clichê

então vou guardar

minha dor e meu amor

e quem sabe os soterrar.

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deixa eu tomar suas dores nos meus braços e cantar uma canção de ninar, para quem sabe assim elas parem de lhe atormentar. sofrer por ti e contigo é melhor do que sofrer sem ti.

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Sobre ti
moço do sorriso envolvente,
não sei mentir.
és dono dum olhar penetrante
e vou lhe admitir,
você me faz sonhar
sem me cansar
de te imaginar.